Pesquisas florestais

Vespa-da-madeira é a principal inimiga do pínus

Produção de madeira é ameaçada pela praga
por Katia Pichelli (jornalista) e Camila Toppel (estagiária) - Embrapa Florestas
Vespa-da-madeira Vespa-da-madeira

O ataque às árvores de pínus, uma das principais espécies florestais plantadas do Brasil, preocupa toda a cadeia produtiva da madeira. O principal agente do ataque a essas árvores é a vespa-da-madeira (Sirex noctilio ), inseto que perfura o tronco das árvores para depositar seus ovos. Junto a isso, o inseto introduz uma muco-secreção e um fungo, que afetam a qualidade da madeira e são responsáveis pela morte da árvore. As larvas originadas dos ovos formam galerias no interior dos troncos, o que limita seu uso, além de torná-la imprópria para o mercado.

A área plantada com pínus corresponde a 1,8 milhão de hectares entre os 6,7 milhões do total de florestas plantadas no país. Devido ao seu rápido crescimento e boa qualidade da madeira, o pínus é muito usado em vários segmentos industriais, gerando uma diversidade de produtos. Com a presença dessa praga, o setor florestal sofreu quedas significativas em sua produção e gerou prejuízos financeiros e ambientais.

A partir da detecção da praga, a Embrapa Florestas (Colombo/PR), em parceria com cerca 120 outras empresas do setor florestal - em especial as participantes das associações estaduais de empresas florestais - criou, em 1989, o Fundo Nacional de Controle à Vespa-da-Madeira (Funcema). A articulação das empresas com a pesquisa florestal, por meio do Funcema, possibilitou a criação e execução de estratégias de manejo dessa praga, avançando em áreas como manejo integrado de pragas e melhorias em manejo florestal. Um amplo programa de transferência de tecnologia capacita técnicos de empresas, associações, sindicatos e cooperativas no monitoramento, detecção e controle da vespa-da-madeira.

As primeiras ações foram iniciadas tomando como referencial o Programa Nacional de Controle à Vespa-da- Madeira, que estipulou normas para o transporte da madeira e a utilização de agentes de controle biológico, como medidas para controlar a praga. Além disso, a Embrapa Florestas realizou treinamentos, produção e distribuição dos inimigos naturais da vespa.

O principal agente de combate à praga é o nematóide Deladenus siricidicola, que esteriliza as fêmeas da vespa. De formato microscópico, o nematóide apresenta dois ciclos de vida: um de vida livre, alimentando-se do mesmo fungo simbionte da vespa-da-madeira e outro de vida parasitária, dentro de larvas, pupas e adultos da praga. Ele é criado massalmente em laboratório e liberado em campo, através de sua aplicação em árvore atacadas pela praga, podendo atingir altos níveis de parasitismo.

Essa junção entre ações preventivas e de controle contribuíram para a detecção precoce da praga e imediata introdução dos inimigos naturais. Isso foi de extrema importância para a reestruturação do equilíbrio biológico. Em algumas áreas, por exemplo, o controle biológico aliado ao correto manejo do plantio fizeram com que os índices chegassem perto de 100%.

Com o sucesso do programa , a equipe do Laboratório de Entomologia da Embrapa Florestas tem novos desafios e projetos pela frente. O primeiro deles é pesquisar e propor inovações tecnológicas no processo de monitoramento, detecção e controle da praga.Um novo projeto está estudando novas formas de produção, envio e aplicação do nematóide para os usuários, bem como a redução dos custos do processo.

O segundo desafio é trabalhar com a introdução de outros inimigos naturais do inseto, parasitoides que matam a larva da vespa-da-madeira e impedem sua propagação, auxiliando no controle exercido pelo nematóide.